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A Prefeitura de São Paulo está organizando uma reorganização da educação municipal. Com ela, o ensino nas escolas municipais vai ter mais qualidade. Mas antes das mudanças serem implantadas, queremos saber sua opinião. Colabore acessando www.maiseducacaosaopaulo.prefeitura.sp.gov.br
mamulengo

A arte educadora Clarinda Conceição Rocha de Sousa, integrante do Projeto Teatro de Bonecos “Mamulengo” da Secretaria Municipal de Educação (SME), fala sobre a formação de educadores com cursos voltados para o teatro de bonecos nas escolas.

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Discussão - 5 comentários
  1. ANTONIO DIAS NEME

    nov 08, 2013  at 14:50

    http://maiseducacaosaopaulo.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2013/08/logo.gif
    Boas Práticas – Teatro mamulengo

    A arte educadora, Clarinda da Conceição Rocha de Souza, fala sobre o curso voltado para o teatro de bonecos mamulengo.

    http://www.youtube.com/watch?v=oKAEH9CPqeI

    “Sensibiliza o potencial que o Teatro de Bonecos tem para atender a demanda da Escola em relação a alternativas pedagógicas e métodos de ensino e de aprendizagem, a partir de conteúdos definidos. O drama apresentado nas peças teatrais, incentiva o indivíduo a pensar e se posicionar diante de um conflito ou dilema. A tensão própria da linguagem teatral incentiva o riso, a comicidade crítica e a fuga da realidade, abrindo perspectivas na imaginação dos alunos. ”

    A Escola que apenas utiliza o ensino e a forma tradicional de disciplina e punição está superada, necessitamos formar pessoas capazes de pensar e não apenas memorizar. Desenvolver a capacidade de análise e pesquisa teórica, atividades de vivência e resoluções de conflitos são caminhos que se abrem, onde o Teatro em geral e o Teatro de Bonecos em especial podem contribuir.
    A necessidade de fomentar atividades de oficinas de formação de professores e peças que tenham temas que atendam às demandas das Escolas são indícios de que há um longo caminho a percorrer e muito trabalho a realizar.

    PROFESSOR ANTÔNIO DIAS NEME

    Responder

  2. ANTONIO DIAS NEME

    nov 08, 2013  at 14:50

    http://maiseducacaosaopaulo.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2013/08/logo.gif
    Boas Práticas – Teatro mamulengo

    A arte educadora, Clarinda da Conceição Rocha de Souza, fala sobre o curso voltado para o teatro de bonecos mamulengo.

    O Mamulengo é uma das pouquíssimas formas de Teatro Popular que ainda consegue subsistir nesse país, onde a cultura é relegada ao mais inferior dos planos.

    Com muita ação, muita beleza e muita graça, o Mamulengo consegue educar e divertir desde a pequena criancinha até o mais idoso adulto, independente de cor, sexo ou classe social. Através dele conseguimos nos transportar para a fantasia mágica do teatro e ficamos ao mesmo tempo entre o sonho e a realidade, extasiados pela dinâmica e a simplicidade desse brinquedo do povo.

    Mamulengo é uma forma de arte popular da cultura nordestina. É um teatro de bonecos, conduzido com as mãos na linha dos fantoches, mas com uma estrutura própria, da qual faz parte: histórias, lendas, linguagem própria, personagens fixos, pancadarias, picardia, música, dança etc…
    É um brinquedo com seu jeito próprio de ser, inigualável na dinâmica, simplicidade e alegria.

    A origem da palavra MAMULENGO se perde na história e não é comprovada sua aparição por documento, mas sim, pelas próprias teorias populares. Uma das mais comuns é a teoria de que MAMULENGO seria uma corruptela da expressão popular “MÃO-MOLENGA” porque o mamulengueiro (a pessoa que conduz a brincadeira escondida atrás da pequena barraca), tem que ter uma grande habilidade manual para trabalhar ao mesmo tempo com dois personagens e manipular às vezes mais de 60 bonecos durante uma brincadeira que dura no mínimo de duas horas, até seis ou oito horas de representação.
    O Mestre (modo como é chamado o mamulengueiro e quase sempre o dono do brinquedo), tem que ser poeta, ator, dançador, improvisador, cantador, dinâmico, saudável etc… Pois para brincar com mais de 60 bonecos, em às vezes quase oito horas de representação, é preciso ser mais que artista, é preciso viver e incorporar cada personagem do brinquedo. É preciso ir no âmago da brincadeira e se transformar a cada momento.
    Um verdadeiro Mestre de Mamulengo é, além de tudo isso, o artesão, o homem que confecciona seus próprios bonecos entalhando-os do mulungu – madeira leve extraída de grandes árvores dos brejos de alguns estados nordestinos.

    O Mamulengo é descendente da Comédia Popular Italiana (Comédia Dell’Arte) e dela absorveu vários personagens e parte da estrutura de representar da velha comédia.
    Segundo a escassa bibliografia que é composta por três obras apenas (O Mundo Mágico do João Redondo de Altimar Pimentel; Fisionomia e espírito do Mamulengo de Hermílio Borba Filho; Mamulengo – Um Povo em forma de bonecos de Fernando Augusto Gonçalves dos Santos), o teatro de bonecos apareceu no Brasil duzentos anos após o descobrimento, portanto por volta de 1700. Dizemos que o teatro de marionetes chegou ao Brasil por esta época e não o mamulengo em si, porque o brinquedo, que hoje é profano, vem do teatro religioso, ou melhor, dos átrios da Igreja. Durante anos porém, foi tomando forma, corpo, estrutura própria, penetrando nas camadas populares, absorvendo seus costumes até transformar-se num brinquedo do povo.
    A ação dramática do mamulengo é feita através de pequenas peças ou passagens não escritas, acompanhadas e entremeadas de muita música, dança e improvisações feitas pelo apresentador que pode ser Simão, Prº Tiridá, Benedito, João Redondo, Casimiro Coco etc…

    A ação dramática do brinquedo é feita através de passagens e as passagens são motivos ou até pretextos para a atuação de determinados personagens. É uma brincadeira arbitrária e improvisada adaptando-se com rápida facilidade ao ambiente onde está sendo brincada. As passagens são totalmente independentes entre si sem qualquer preocupação lógica.

    Vejamos alguns exemplos:

    Passagens-Pretexto: Onde aparece um boneco, cumprimenta o publico, diz uns gracejos, canta alguma coisa e sai. Sua aparição é independente de qualquer explicação.
    Passagens- narrativas: feita com versos como os poetas repentistas. Um ou dois bonecos narram fatos, acontecimentos ou estórias imaginarias.
    Passagens de briga: geralmente são arbitrarias, onde os bonecos dão prova de verdadeira resistência artesanal, devido ao grande numero das pancadarias e violentas contorções que são típicas dessas passagens. As brigas e a violência dessas passagens não chegam porém, a chocar ou agredir o público, por se valerem do humor, do ridículo e do caricatural nas representações.
    Passagens de dança: servem como recurso para fazer ligação entre as outras passagens que compõem o brinquedo. São também totalmente arbitrárias e delas participam ativamente os tocadores e os bonecos dançarinos.
    Passagens-de-peças ou Tramas: São Comédias, dramas, farsas, autos religiosos, sátiras sociais etc., que seguindo a estrutura formal do espetáculo de teatro, podemos considera-las como pequenas peças. Essas pequenas passagens embora não sejam escritas, acontecem dentro do mamulengo, igualmente ao teatro de revista, onde se sucedem como esquetes com assuntos cômicos, sociais, morais, religiosos, etc., incorporando elementos que pertencem ao gênero dos musicais e ao gênero do Circo.

    É bom ressaltar, que atualmente, vários mestres, dos poucos que ainda existem, adaptaram seus brinquedos à velocidade da comunicação moderna, brincando estórias completas que duram cerca de uma hora, uma hora e meia, mais ou menos, dependendo do lugar e da platéia para a qual estejam se apresentando.
    Quem cria e brinca de mamulengo é sempre um artista popular. Um artista do povo para o próprio povo. É também um artista do riso, pois o riso, além de ser sua maior intenção, é, sem dúvida, sua maior recompensa como artista do mamulengo.

    Suas estórias são tiradas do cotidiano, apresentadas de maneira hilária, fantástica, engraçada e picante. Fazendo a platéia ir ao delírio do riso e penetrando na alma do espectador transformando-o nos próprios bonecos da representação.

    Do ponto de vista técnico a representação do mamulengo não é muito simples, pois além do Mestre, são necessários outros elementos que auxiliam bastante para que aconteça o espetáculo, a brincadeira, a função. Como é essa estrutura? Quem são esses elementos e quais são suas funções dentro do brinquedo?
    O Mamulengo é brincado dentro de um palco que é chamado de: Barraca, Tolda, Empanada e às vezes de Tenda. Geralmente são construídas de madeira e revestidas com tecidos populares. Às vezes encontramos barracas com desenhos e dizeres do povo que são usados meramente como enfeites, sem muita preocupação com o conteúdo, como encontramos também, mamulengueiros brincando apenas como uma corda esticada e um pano pendurado.
    Dentro da barraca brincam:

    O MESTRE
    é o responsável pelo brinquedo e é a figura mais importante.. Geralmente é o dono do brinquedo, criador dos bonecos e o do espetáculo, acumulando as funções de empresário, principal ator e manipulador.
    O CONTRA MESTRE
    é a segunda pessoa da brincadeira. Manipula alguns bonecos, cria mais de uma voz e dialoga com o Mestre sustentando o improviso. Em alguns casos é sobrepujado em importância pela figura do Mateus.
    http://www.valdeckdegaranhuns.art.br/imagens/BENEDITO2.jpg
    http://www.valdeckdegaranhuns.art.br/imagens/QUITERIA.jpg
    http://www.valdeckdegaranhuns.art.br/imagens/zededuda.jpg
    http://www.valdeckdegaranhuns.art.br/imagens/MANEPACARU.jpg
    OS FOLGAZÔES OU AJUDANDES
    sua função é a de manipular bonecos em cenas com muitos personagens, como brigas, e sobre tudo danças, quando fazem coro cantado junto com os estrumenteiros. Quase nunca falam
    Do lado de fora da barraca brincam:

    O MATEUS
    personagem muito importante para o mamulengo e que foi assimilado do Bumba-Meu-Boi. O Mateus é uma espécie de Corifeu da Tragédia Grega. Sua função é a de interlocutor entre o mundo figurado dos bonecos e o mundo real do público. Deve ser ágio, engraçado, versejador e ter muito senso e prática na arte do improviso.
    http://www.valdeckdegaranhuns.art.br/imagens/Mamulengo-2.jpg
    OS INSTRUMENTISTAS
    entre os mamulengueiros são chamados de “instrumenteiros”, “batuqueiros” ou “tocadores”. Os instrumentos mais usados são sanfona de oito baixos, triangulo, ganzá e zabumba. A música é um elemento de vital importância para o brinquedo do mamulengo. Na música e na dança repousa quase toda a estrutura dramática do brinquedo. A participação dos músicos nas cenas de danças, de brigas, nas cantorias etc., determinam muitas vezes o ritmo e o clima do espetáculo. De acordo com a qualidade dos instrumentistas o espetáculo cresce em participação. A música é executada ao vivo e muitas vezes criada de improviso em cima da cena que está sendo apresentada.
    O PÚBLICO ou PLATÉIA
    é sem duvida o elemento mais importante para qualquer tipo de atividade artística, pois é para o público que são criados, preparados e apresentados os espetáculos. No caso do Mamulengo, o público se constitui um elemento vivo, ativo e participante durante toda brincadeira. Sem a participação do público não pode haver brincadeira, e, se houver, nunca será completa.

    O Mamulengo nos transporta para um mundo onde o fantástico se torna cotidiano e o cotidiano se torna fantástico. Para tentar compreendê-lo temos que penetrar no seu universo, partindo do boneco como simples objeto plástico, como escultura, até o momento em que ele perde a natureza de simples pedaço de madeira esculpido, para transformar-se em ser vivo, dramático, animado, a quem o mamulengueiro empresta alma, e, conseqüentemente, vida.
    http://www.valdeckdegaranhuns.art.br/imagens/Padre-e-Professor-Furustreca.jpg

    É fantástico o processo de criação do mamulengo, desde a transformação de um simples pedaço de madeira no boneco como elemento plástico, até ele adquirir vida durante a brincadeira. Porque nisso tudo, entra a coisa mais bela que existe – o poder de criação que acompanha o ser humano desde sua existência na Terra.
    É uma pena que esse incrível teatro popular, como tantos outros brinquedos da nossa cultura, já estejam fadado ao desaparecimento e conseqüentemente à extinção.
    Vivemos num país onde não se preserva a cultura popular. Onde essa cultura está dia a dia deixando de ser “a brincadeira do Povo”, para transforma-se em folclore e mero elemento de especulação turística.
    http://www.valdeckdegaranhuns.art.br/imagens/burrinha-e–boi-pintadinho.jpg
    Sabemos que a evolução de um povo depende do quanto ele saiba preservar seus costumes, sua ciência, sua arte, sua cultura. A cultura evolui, adquire novos elementos, mais conserva sua essência, sua alma, que lhe dá marca registrada e resguarda-a das imitações, falsificações…

    Tanto o Mamulengo como outros folguedos do nosso povo, estão sofrendo muito com essa tentativa de massificação da cultura que está sendo implementada pelos meios de comunicação de massa.
    Em nome da “cultura” estão destruindo nossos brinquedos e abrindo espaço, por exemplo para a televisão, mau manipulada por elementos totalmente inescrupulosos que usam sua força para deseducar e para impor na população a rebeldia desenfreada, o consumismo, que conseqüentemente leva ao conformismo e ao obscurantismo, posto que aos ricos apresenta soluções, aos médios possíveis soluções e aos pobres apenas o desejo de realizações impossíveis dentro da nossa sociedade infeliz e católica.

    Nossos folguedos são como nossos índios, que se retirados das matas, adoecem, morrem, desaparecem. Nossos brinquedos são do povo, para serem brincados no meio do povo. São o lazer, a alegria e a vida desse povo. Para preserva-los e fortifica-los devemos deixa-los livres e contribuir para essa liberdade.
    O Mamulengo é um brinquedo do povo feito para o próprio povo. Onde “a matéria do homem junta-se à matéria do boneco para uma transfiguração. A alma do homem dá ao boneco também uma alma. E, nesta pureza realizam um ato poético.”*
    COLABORAÇÃO PROFESSOR ANTÔNIO DIAS NEME

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  3. Clarinda Sousa

    nov 11, 2013  at 14:50

    A Rede Municipal de Ensino da Cidade de São Paulo, conta com um projeto que encanta alunos e educadores desde 1978: o Teatro de Bonecos “Mamulengo”´. Pertencente à SME – Programas Especiais, o Projeto tem como principal objetivo, levar a linguagem do teatro de bonecos aos alunos e educadores da Rede Municipal de Ensino, por meio de apresentações de espetáculos em todos os Teatros dos CEUs e do oferecimento de cursos de formação para educadores da RME.
    O nome “Mamulengo” foi escolhido em homenagem ao mais popular teatro de bonecos brasileiro: O Teatro de Mamulengo, da cultura Nordestina.
    A Equipe que compõe o Projeto, formada por Educadoras da Rede Municipal de Ensino, cria e adapta histórias sobre os mais variados temas, confecciona bonecos, adereços, cenários, figurinos, prepara e edita trilhas sonoras, atua como manipuladores nas apresentações dos espetáculos nos Teatros dos CEUs e em eventos promovidos pela SME e ministra cursos de formação para Educadores da RME sobre confecção e manipulação de bonecos, construídos essencialmente com materiais recicláveis .
    A divulgação das apresentações dos espetáculos nos Teatros dos CEUs e dos cursos ministrados pela Equipe é feitas por meio do Diário Oficial da Cidade e pelo Portal da SME.
    Responsáveis pelo Projeto: Clarinda Sousa, Irany Araújo, Helena Teixeira e Sueli Mancini.
    Colaboração: Clarinda Conceição Rocha de Sousa

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  4. Mari Briza Autran

    nov 12, 2013  at 14:50

    Isso é muito legal!!! Mas podia apresentar esse curso para crianças e adolescentes também!

    Responder

    • Clarinda Sousa

      nov 14, 2013  at 14:50

      Olá Mari, obrigada por escrever!

      Na verdade, temos a intenção de multiplicar este conhecimento e, desta forma, entendemos que o melhor caminho é por meio do oferecimento de cursos de formação para os educadores da RME, sobre técnicas de confecção e manipulação de bonecos e as possibilidades da utilização desta linguagem no ambiente escolar.

      Neste ano, oferecemos cursos para 900 educadores da Rede e, em decorrência destes cursos, 32.000 alunos tiveram a oportunidade de aprender a fazer bonecos com materiais recicláveis e com papel machê, vivenciar técnicas de manipulação, apreciar peças teatrais e atuar como protagonistas nas apresentações de teatro de bonecos na escola.

      Abraços,
      Clarinda Sousa

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