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A Prefeitura de São Paulo está organizando uma reorganização da educação municipal. Com ela, o ensino nas escolas municipais vai ter mais qualidade. Mas antes das mudanças serem implantadas, queremos saber sua opinião. Colabore acessando www.maiseducacaosaopaulo.prefeitura.sp.gov.br

Um dos desafios do Mais Educação São Paulo, programa que reorganiza a Rede Municipal de Educação, é a formulação de uma proposta pedagógica e de um currículo para as crianças de zero a cinco anos e onze meses, de forma integrada entre as unidades escolares. O objetivo, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SME), é valorizar as experiências e os saberes dos pequenos, além de buscar seu desenvolvimento.

A Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, é oferecida na capital nos Centros de Educação Infantil (CEIs), nas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), no Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei), no Centro de Educação Infantil Indígena (CEII) e nas Escolas Municipais de Educação Básica Bilíngue para Surdos (Emebs).

Hoje, nem sempre as propostas pedagógicas das diferentes unidades dialogam entre si. Assim, uma criança que esteja em um CEI e que passe para uma Emei deverá encontrar estratégias e abordagens educacionais distintas.

Conforme nota técnica divulgada pela SME, outra preocupação é a articulação da Educação Infantil com a etapa seguinte: o Ensino Fundamental. Para tanto, a SME promoverá ações de formação envolvendo educadores das duas modalidades.

Avaliação da Educação Infantil

Outro ponto de pauta na formação dos professores da Rede é a avaliação da Educação Infantil. A SME vai incentivar que as unidades educacionais utilizem o material Indicadores de Qualidade para a Educação Infantil, publicado pelo Ministério da Educação (MEC) em 2009, como instrumento de autoavaliação.

A pasta quer que o conceito de avaliação na Educação Infantil se amplie, atingindo também as famílias das crianças no processo avaliativo. Atualmente, as unidades escolares já realizam autoavaliações sobre o cotidiano escolar e a infraestrutura disponível.

O documento divulgado pela SME ressalta ainda que a Rede “se afasta de toda e qualquer forma de avaliação na Educação Infantil que compare ou meça o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças com finalidades classificatórias e segregacionistas”.

Saiba mais sobre avaliação e currículo para a infância na íntegra da nota técnica abaixo:

 

Nota Técnica nº1 – Programa Mais Educação São Paulo

Educação Infantil 1

CURRÍCULO INTEGRADO PARA A PRIMEIRA INFÂNCIA; ARTICULAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL COM O ENSINO FUNDAMENTAL; AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL.

Currículo Integrado para a Primeira Infância e Articulação da Educação Infantil com o Ensino Fundamental

A Educação Infantil paulistana tem como um dos desafios superar a divisão entre as faixas etárias de zero a três anos e de quatro a cinco anos e onze meses, garantindo o atendimento à criança com base na pedagogia da infância, que busque articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral das crianças.

É importante que uma proposta político-pedagógica integradora para a primeira infância seja efetivada por meio de um currículo que considere as crianças de zero a cinco anos e onze meses, independente de serem atendidas em Unidades Educacionais distintas, com o compromisso de garantir às crianças o direito de viver situações acolhedoras, seguras, agradáveis, desafiadoras, que lhes possibilitem apropriar-se de diferentes linguagens e saberes que circulam na sociedade.

Os conhecimentos hoje disponíveis sobre a Educação Infantil e as experiências desenvolvidas pelos profissionais da Rede Municipal de Ensino darão base a uma nova proposta curricular para a Educação Infantil, atualizando orientações vigentes e trazendo novos elementos capazes de bem orientar o trabalho com as crianças nas diferentes etapas de seu desenvolvimento.

Outro desafio a ser enfrentado diz respeito à articulação da Educação Infantil com o Ensino Fundamental, em que se considere que a Infância não se encerra aos cinco anos e onze meses de idade, quando a criança deixa a Educação Infantil, mas ela se estende, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, até os doze anos de idade. Assim, a Secretaria Municipal de Educação terá ações de formação integradas envolvendo os educadores das duas modalidades (Educação Infantil e Ensino Fundamental), ressaltando-se a importância de que no Ciclo da Alfabetização a brincadeira, a ludicidade, a expressão corporal e a imaginação sejam elementos integrantes do currículo.

Avaliação na Educação Infantil

Outro aspecto bastante abordado no decorrer da Consulta Pública refere-se às questões relacionadas à avaliação na Educação Infantil.

A avaliação na Educação Infantil está em sintonia com a prática cotidiana vivenciada pelas crianças e o planejamento do(a) educador(a), constituindo-se em um elo significativo. Para isso é imprescindível que o(a) educador(a) tenha uma reflexão permanente sobre as ações e pensamentos das crianças, realizando uma análise sistêmica contínua de suas observações. Desta forma, a avaliação servirá para que o(a) educador(a) possa rever seu planejamento com base nos interesses e necessidades das crianças, com vistas a ajudá-las a refletirem sobre os movimentos de construção de seu conhecimento, sobre si e do mundo.

A avaliação na Educação Infantil acontece nos âmbitos da aprendizagem e do Projeto Político-Pedagógico da Unidade Educacional, entendida como avaliação institucional.

No âmbito da aprendizagem, desde agosto de 1992 quando da aprovação do Regimento Comum das Escolas Municipais de São Paulo, a avaliação da aprendizagem na Educação Infantil é efetivada através de relatórios descritivos individuais que têm por objetivo descrever as atividades das crianças, sem, contudo, classificá-las nem tão pouco servir de critérios para retê-las no prosseguimento de sua vida escolar.

Com o passar dos anos a Rede Municipal de Ensino tem aprimorado esses relatórios e introduzido o conceito de documentação pedagógica, entendida como instrumentos que auxiliam o professor a historicizar o processo vivido no dia a dia pelas crianças no percurso de suas aprendizagens.

Os instrumentos utilizados nessa avaliação passam por diferentes formas de registro: relatórios descritivos, portfólios individuais e do grupo, fotos, filmagens, as próprias produções das crianças (desenhos, esculturas, maquetes, entre outras). Ressalta-se que a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo se afasta de toda e qualquer forma de avaliação na Educação Infantil que compare ou meça o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças com finalidades classificatórias e segregacionistas.

No âmbito da avaliação institucional, as unidades de Educação Infantil realizam anualmente a autoavaliação em que são analisados aspectos pautados nas ações cotidianas das unidades com base na rotina das crianças e dos(as) educadores(as), bem como na infraestrutura organizacional das unidades. É importante que a concepção de avaliação se amplie, oportunizando o envolvimento das famílias e a avaliação de toda estrutura do Projeto Político-Pedagógico, organização e funcionamento das Unidades Educacionais.

Nesse sentido, a Secretaria Municipal de Educação está colocando a avaliação como um ponto de pauta nas formações de educadores, em especial com a organização de Seminários Regionais que discutirão o tema “Qualidade e Avaliação na Educação Infantil”. Tais seminários incentivarão as Unidades Educacionais a utilizarem os Indicadores de Qualidade para a Educação Infantil, publicados pelo Ministério da Educação em 2009, como um instrumento de autoavaliação. Os seminários servirão também como disparadores para a construção conjunta de Indicadores de Qualidade que ajudarão a avaliar as práticas desenvolvidas na Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de São Paulo, com o intuito de subsidiar decisões e encaminhamentos, tanto na rede direta, quanto na indireta e na conveniada particular. Tais Indicadores possibilitarão que as Unidades Educacionais e a Secretaria Municipal de Educação redirecionem trajetórias, subsidiem decisões e formulem políticas e planos com vistas à melhoria da qualidade do atendimento dado às crianças na Educação Infantil da Cidade de São Paulo.

Leia também:

Devolutiva da consulta pública do Mais Educação São Paulo
Notas técnicas resultantes da consulta
Quadro-síntese com as principais alterações do documento inicial do Programa
Sistematização das colaborações por temas

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Discussão - Um comentário
  1. ANTONIO DIAS NEME

    nov 11, 2013  at 16:27

    http://maiseducacaosaopaulo.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2013/08/logo.gif

    Integração do currículo para a infância é desafio do Mais Educação São Paulo

    Um dos desafios do Mais Educação São Paulo, programa que reorganiza a Rede Municipal de Educação, é a formulação de uma proposta pedagógica e de um currículo para as crianças de zero a cinco anos e onze meses, de forma integrada entre as unidades escolares. O objetivo, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SME), é valorizar as experiências e os saberes dos pequenos, além de buscar seu desenvolvimento.

    ” A creditamos que a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.
    Se a nossa opção é progressiva, se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente
    e não de sua negação, não temos outro caminho se não viver a nossa opção.
    Encarná-la, diminuindo, assim, a distância entre o que dizemos e o que fazemos”
    Paulo Freire

    “A Educação qualquer que seja ela, é sempre uma teoria do conhecimento posta em prática.”
    Paulo Freire

    Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino.
    Paulo Freire

    Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes.
    Paulo Freire

    O dinamismo hoje presente na área de Educação infantil, ao mesmo tempo em que tem criado esperanças, invoca a necessidade de ampliação dos processos de formação continuada para qualificar as práticas pedagógicas existentes na direção proposta. Muitas instituições encontram-se presas a modelos que já foram avaliados e julgados inadequados como instrumentos de educar e cuidar e promover o desenvolvimento das
    crianças. Em parte a presença desses modelos é devida à longa tradição assistencialista presente no processo de constituição da área de Educação Infantil, em particular em relação à creche, o que prejudicou a elaboração modelos pedagógicos mais afinados com as formas de promoção do desenvolvimento infantil.
    Outro fator presente quando se pensa na necessidade de se ter outra forma de trabalho junto às crianças, é a ausência de uma política de formação específica para os profissionais da Educação Infantil nos cursos de Pedagogia com uma explicitação clara de suas atribuições junto às crianças, particularmente em relação aquelas com idade entre
    zero a 5 anos.
    Nossa aposta é pelo grande e estimulante envolvimento dos educadores que atuam na área na reflexão sobre as práticas cotidianas vividas pelas crianças nas instituições de Educação infantil e pela busca de formas de trabalho pedagógico que possam caminhar na direção pretendida. Cabe aos sistemas de ensino e às instituições formadoras de professores dar-lhes as melhores condições para essa atuação sensível às novas exigências da área, de modo compatível com as normativas trazidas pelas novas Diretrizes do Mais Educação São Paulo. Instituições podem desde já se envolver em amplo processo de renovação de práticas, de revolução de representações cristalizadas sobre a criança, as expectativas acerca do que ela pode aprender. Afinal, não apenas as crianças são sujeitos do processo de aprendizagem, mas também seus professores se incluem no fascinante processo de ser um eterno aprendiz, um construtor de sua profissionalidade.
    As instituições de Educação Infantil,na organização de sua proposta pedagógica e curricular, necessitam:
    -garantir espaços e tempos para participação, o diálogo e a escuta cotidiana das famílias, o respeito e a valorização das diferentes formas em que elas se organizam.
    -trabalhar com os saberes que as crianças vão construindo ao mesmo tempo em que se garante a apropriação ou construção por elas de novos conhecimentos.
    -considerar a brincadeira como a atividade fundamental nessa fase do
    desenvolvimento e criar condições para que as crianças brinquem diariamente.
    -propiciar experiências promotoras de aprendizagem e conseqüente
    desenvolvimento das crianças em uma freqüência regular.
    -selecionar aprendizagens a serem promovidas com as crianças, não as
    restringindo a tópicos tradicionalmente valorizados pelos professores, mas
    ampliando-as na direção do aprendizado delas para assumir o cuidado pessoal, fazer amigos, e conhecer suas próprias preferências e características.
    -organizar os espaços, tempos, materiais e as interações nas atividades
    realizadas para que as crianças possam expressar sua imaginação nos gestos, no corpo, na oralidade e/ou na língua de sinais, no faz de conta, no desenho, na dança, e em suas primeiras tentativas de escrita.
    -considerar no planejamento do currículo as especificidades e os interesses
    singulares e coletivos dos bebês e das crianças das demais faixas etárias,
    vendo a criança em cada momento como uma pessoa inteira na qual os
    aspectos motores, afetivos, cognitivos e lingüísticos integram-se, embora em permanente mudança.
    -abolir todos os procedimentos que não reconhecem a atividade criadora e o protagonismo da criança pequena, e que promovam atividades mecânicas e não significativas para as crianças.
    -oferecer oportunidade para que a criança, no processo de elaborar sentidos pessoais, se aproprie de elementos significativos de sua cultura não como verdades absolutas, mas como elaborações dinâmicas e provisórias.
    -criar condições para que as crianças participem de diversas formas de
    agrupamento (grupos de mesma idade e grupos de diferentes idades),
    formados com base em critérios estritamente pedagógicos, respeitando o
    desenvolvimento físico, social e linguístico de cada criança.
    -possibilitar oportunidades para a criança fazer deslocamentos e movimentos amplos nos espaços internos e externos às salas de referência das turmas e à instituição, e para envolver-se em exploração e brincadeiras.
    -oferecer objetos e materiais diversificados às crianças, que contemplem as particularidades dos bebês e das crianças maiores, as condições específicas das crianças com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, e as diversidades sociais, culturais, étnico-raciais e lingüísticas das crianças, famílias e comunidade regional.
    -organizar oportunidades para as crianças brincarem em pátios, quintais, praças, bosques, jardins, praias, e viverem experiências de semear, plantar e colher os frutos da terra, permitindo-lhes construir uma relação de identidade, reverência e respeito para com a natureza.
    -possibilitar o acesso das crianças a espaços culturais diversificados e a práticas culturais da comunidade, tais como apresentações musicais, teatrais, fotográficas e plásticas, e visitas a bibliotecas, brinquedotecas, museus, monumentos, equipamentos públicos, parques, jardins.

    PROFESSOR ANTÔNIO DIAS NEME

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