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A Prefeitura de São Paulo está organizando uma reorganização da educação municipal. Com ela, o ensino nas escolas municipais vai ter mais qualidade. Mas antes das mudanças serem implantadas, queremos saber sua opinião. Colabore acessando www.maiseducacaosaopaulo.prefeitura.sp.gov.br

O Mais Educação São Paulo, programa de  reorganização do currículo e da administração da Rede Municipal de Educação, vai acabar com a aprovação automática. A retenção poderá ocorrer no fim dos ciclos (3º, 6º e 9º anos do Ensino Fundamental de nove anos) e também nos 7º e 8º anos. A Secretaria Municipal de Educação (SME) alerta que a prática não deve servir como “mecanismo punitivo ou de exclusão”.

Segundo nota técnica divulgada pela pasta, a retenção é um recurso posterior a todas as estratégias de apoio pedagógico complementar e de recuperação possíveis.

A retenção só deverá ser adotada ao fim de todas as possibilidades de exposição ao conhecimento, se os direitos e objetivos de aprendizagem não tiverem se realizado e se o estudante tiver a continuidade dos estudos comprometida. A ideia é que a retenção proporcione uma oportunidade de revisão e de amadurecimento.

Para acompanhar o aprendizado, o Mais Educação São Paulo estabelece a realização de avaliações bimestrais, com o objetivo de sinalizar as dificuldades dos estudantes. Assim, a retenção ocorre de um processo, e sinaliza que o percurso do ensino e aprendizagem não atingiu o desejado até determinado momento.

Saiba mais sobre a avaliação no Mais Educação São Paulo na íntegra da nota técnica abaixo:


Nota Técnica nº 13 – Programa Mais Educação São Paulo
 

Processo de Aprendizagem

APROVAÇÃO AUTOMÁTICA, RETENÇÃO, RECUPERAÇÃO / APOIO PEDAGÓGICO COMPLEMENTAR

Aprovação automática

A aprovação automática, sem compromisso com a aprendizagem e o desenvolvimento, vem sendo um grande mal para a educação de crianças e jovens brasileiros.

Essa prática, ainda comum em muitas escolas, compromete o futuro de milhões de estudantes, que, na vida, logo descobrirão que conhecimentos importantes lhes foram sonegados e que condições indispensáveis para a sua plena cidadania lhes foram subtraídas.

Aprovação automática é o desvirtuamento da correta concepção de que os alunos têm direito ao aprendizado contínuo e progressivo e de que a escola, a família, o Estado e a sociedade têm o dever de assegurar isso a eles.

A recusa omissa em levar os processos avaliativos a todas as suas consequências nada tem a ver com progressão continuada dos alunos, desejo e compromisso de todos os educadores sérios.

Evidente que o objetivo maior da escola e do trabalho dos professores é o sucesso educacional dos seus alunos. A reprovação de um estudante é o fracasso de todos.

Porém, mais grave é o fracasso escamoteado, escondido, como se na escola fosse possível aprender sem esforço, construir sem trabalhar, criar sem experimentar. Um engodo que deseduca e desorienta.

O objetivo é agir para que a cultura e a prática de aprovação automática não mais existam nas Unidades Educacionais da Rede Municipal de Ensino.

A avaliação do processo de ensino e aprendizagem é parte do currículo, constituindo etapa necessária e indispensável para o (re)planejamento das ações pedagógicas e para a reflexão sobre o percurso cognitivo e os conhecimentos significativos já construídos pelos estudantes. Dessa forma, entende-se que a aprovação automática não é um procedimento de uso sistemático, bem como a retenção.

A organização em ciclos pressupõe a consideração de fases de desenvolvimento e de respeito aos ritmos diferenciados de aprendizagem. Isso significa que distintos instrumentos e estratégias avaliativos sejam utilizados com a finalidade de apontar conquistas e fragilidades, servindo de base para a reflexão e a proposição de atividades, trabalhos e orientações que contribuam para o avanço na aprendizagem e para a superação de dificuldades. O acompanhamento do processo é contínuo.

As sinalizações de problemas relacionados à aprendizagem devem permitir o diagnóstico precoce, porém, em circunstâncias nas quais se evidenciam que as dificuldades não foram superadas ainda, a retenção pode ser necessária.

Retenção

A retenção é resultante de um processo e sinaliza que o percurso do ensino e aprendizagem não atingiu o desejado até determinado momento. É, nesse sentido, um indicador de dificuldades a serem superadas, a fim de que o estudante possa, de fato, avançar para novas etapas. Não deve ser concebida como mecanismo punitivo ou de exclusão.

A retenção poderá ocorrer em todos os finais de ciclos (3º, 6º e 9º anos do ensino de 9 anos) e também nos 7º e 8º anos do Ciclo Autoral. Se, ao fim de todos os processos de exposição ao conhecimento, os direitos e objetivos de aprendizagem não tiverem sido realizados, a ponto de comprometerem a continuidade dos estudos, o estudante poderá ser retido. Ressalte-se que a retenção se configura como recurso posterior a todas as outras estratégias de Apoio Pedagógico Complementar. Compõe também esse processo de acompanhamento do aprendizado a realização de avaliações bimestrais, que têm por objetivo aumentar as possibilidades de alerta ao estudante quanto às suas dificuldades.

A retenção de um aluno em determinado momento de seu processo de desenvolvimento pressupõe a oportunidade de revisão e de amadurecimento, para que ele prossiga em melhores condições de acompanhar a etapa seguinte.
 

Apoio Pedagógico Complementar / Recuperação

O Apoio Pedagógico Complementar consiste em iniciativas e recursos oferecidos ao estudante com o objetivo de acompanhar mais de perto suas atividades, de modo a auxiliá-lo a superar dificuldades, se elas surgirem. Tais iniciativas e recursos garantem qualidade no monitoramento dos processos de ensino e aprendizagem, permitem detectar problemas e evitam que os estudantes avancem em condições inadequadas ou frágeis.

Para que esse apoio se concretize, é importante envolver a família no processo de ensino e aprendizagem de seus filhos, estabelecendo um constante diálogo, como, por exemplo, em momentos como reuniões periódicas com pais/responsáveis para ciência do desempenho e do desenvolvimento dos estudantes. À escola cabe proporcionar meios de acolher e atrair as famílias, para que elas participem de modo mais próximo das ações pedagógicas.

A escola, avaliando continuamente os estudantes, deve promover ações/reflexões/ações voltadas à percepção das dificuldades encontradas por eles, à medida que elas surgem, para (re)orientar escolhas relacionadas às práticas, esclarecer aspectos que não foram claramente compreendidos e realizar mediações especificamente direcionadas às dificuldades individuais.

O Apoio Pedagógico Complementar pode se concretizar, ainda, por meio de ações desenvolvidas em momentos diferenciados com grupos de educandos com dificuldades. É o caso da recuperação paralela, que acontece em aulas ministradas no contraturno.

No âmbito da avaliação formativa, que permite a (re)orientação das aprendizagens no próprio percurso, a possibilidade de retomada e construção de conhecimentos, com a superação de dificuldades deve ser contínua. A recuperação consiste na ampliação das oportunidades e representa um ato de cuidado.

A recuperação de alunos de qualquer ano, que ainda não atingiram o desenvolvimento cognitivo ou o domínio de conceitos esperados, poderá ocorrer de forma paralela às aulas, com planejamento e mediação de um professor específico de recuperação.

A participação de um grande número de escolas da Rede Municipal de Ensino no Programa Mais Educação do Governo Federal possibilitará a ampliação da jornada dos alunos e, assim, a utilização de tempos e espaços escolares, em contraturno, destinados a atividades de Apoio Pedagógico Complementar e Recuperação.

Veja também:

Devolutiva da consulta pública do Mais Educação São Paulo
Notas técnicas resultantes da consulta
Quadro-síntese com as principais alterações do documento inicial do Programa
Sistematização das colaborações por temas

 

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Discussão - 2 comentários
  1. Mari Briza Autran

    out 29, 2013  at 15:44

    Claro que retensão, como o próprio nome diz, é sim uma punição: Pois constrange o aluno perante os colegas, professores e os pais. Por isso, o melhor a fazer é conversar com a criança que exerceu a “má criação” e se não der certo, pedir ajuda aos colegas de trabalho! É assim que funciona no Projeto Âncora que é onde trabalho como Educadora.

    Responder

  2. ANTONIO DIAS NEME

    out 29, 2013  at 15:44

    Retenção não deve ser mecanismo punitivo ou de exclusão, diz Secretaria

    O Mais Educação São Paulo, programa de reorganização do currículo e da administração da Rede Municipal de Educação, vai acabar com a aprovação automática. A retenção poderá ocorrer no fim dos ciclos (3º, 6º e 9º anos do Ensino Fundamental de nove anos) e também nos 7º e 8º anos. A Secretaria Municipal de Educação (SME) alerta que a prática não deve servir como “mecanismo punitivo ou de exclusão”.

    “Os educadores hoje já sabem muito bem que o domínio do medo, o fantasma da reprovação, pode facilitar o controle da disciplina da classe de um ou outro professor cujas aulas são desinteressantes e não motivadoras, mas de nenhuma forma garante a aprendizagem.”

    Qualquer que sejam os medos e fantasmas não é mais possível conviver com o modelo de escola e ensino que herdamos do passado. O momento atual exige uma nova escola – inclusiva, dinâmica e radicalmente diferente – que além de transmitir o conhecimento tenha como papel primordial possibilitar socialização e o respeito mútuo, o desenvolvimento de valores éticos e a solidariedade, principalmente do nosso jovem, exposto a uma sociedade muito mais competitiva e individualista. Na escola ele também aprenderá o saber socialmente sistematizado, embora no futuro, graças à tecnologia moderna, ele poderá até fazer a opção de aprender de forma inteligente e ter acesso ao saber à distância, fora da escola. Conseqüentemente, a escola assim como o professor, principalmente o da escola pública, terá de abandonar a posição de arauto do fracasso. Como qualquer médico que é aquele que cura todos os seus pacientes ou um bom advogado que ganha todas as causas dos seus clientes, o professor terá que rechaçar rapidamente a posição antropofágica de que só é bom se reprovar ou seja se não for capaz de fazer aquilo que dele se espera – ensinar. Uma postura assim elitista e antidemocrática não terá mais lugar neste século e se levada às últimas conseqüências poderá, de forma antropofágica ser, lamentavelmente, o próprio fim da escola e da profissão. Essas são mudanças de cultura, de postura, difíceis de serem ultrapassadas porque tem um teor altamente ideológico e emocional, pois implica em perda de poder. Mas elas devem ocorrer com urgência se quisermos preparar nossos jovens para o novo século. Já estamos com uns 100 anos de atraso. Resta ter coragem para deixar de usar a escola como instrumento da elitização e exclusão do saber. Resta não ter medo do desafio de ensinar os excluídos que estão chegando na escola. Resta acreditar que “a idade de ouro da educação ainda está por vir. E isto vale principalmente para nós, no Brasil, que só agora conseguimos colocar a totalidade de nossas crianças e jovens nas escolas.
    É este o caminho que precisamos buscar e que devemos ter coragem de trilhar. Ser capaz de enfrentar o velho e ultrapassado mito de que a reprovação em si é boa e lutar por uma escola que seja capaz de ensinar e não simplesmente de excluir

    PROFESSOR ANTÔNIO DIAS NEME

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