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A Prefeitura de São Paulo está organizando uma reorganização da educação municipal. Com ela, o ensino nas escolas municipais vai ter mais qualidade. Mas antes das mudanças serem implantadas, queremos saber sua opinião. Colabore acessando www.maiseducacaosaopaulo.prefeitura.sp.gov.br

A Secretaria Municipal de Educação (SME) vai desenvolver formação inicial e continuada para educadores da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A medida faz parte do Mais Educação São Paulo, programa que reorganiza o currículo e a administração da Rede Municipal de Educação da Cidade, e está prevista em nota técnica divulgada pela pasta.

A SME prevê também debates para a formulação de uma proposta curricular própria para a modalidade, considerando as cinco formas de atendimento. Atualmente, os estudantes que procuram a EJA na capital têm as seguintes opções:

- EJA no noturno nas Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs)
- EJA modular em 17 escolas da Rede
- 14 Centros Integrados de EJA (Ciejas)
- Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova)
- Centro Municipal de Capacitação e Treinamento (CMCT)

A discussão sobre uma proposta curricular visa a favorecer a permanência do estudante nos cursos, e adaptá-los ao seu perfil.

Avaliação para a EJA

Depois da elaboração de um currículo própria para a EJA, a pasta pretende debater a avaliação dos jovens e adultos, com foco em sua aprendizagem. Conforme nota técnica, a SME indica a realização de, no mínimo, dois momentos de avaliação a cada semestre ou módulo, assim como a apresentação de sínteses avaliativas bimestrais.

A Educação pretende ainda criar matrizes de avaliação que qualifiquem o atendimento dessa modalidade, respeitando as especificidades dos jovens e adultos, e construir um sistema próprio de qualidade da EJA.

Para saber mais sobre a EJA na capital, leia a íntegra da nota técnica abaixo:

 

Nota Técnica nº8 – Programa Mais Educação São Paulo Educação de Jovens e Adultos

ACESSO E PERMANÊNCIA, SEMESTRALIDADE, PERFIL DO ESTUDANTE DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, FORMAÇÃO DE EDUCADORES, CURRÍCULO E AVALIAÇÃO, PRONATEC E PLANO DE EXPANSÃO.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) acredita que a diversidade de atendimento na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), em suas cinco formas*, contribuirá para a ampliação e qualificação da Educação de Jovens e Adultos nos próximos anos.

Para garantia do acesso, são necessárias a divulgação constante, a manutenção do cadastro e a reorganização do processo de matrícula ao longo do ano letivo, realizado nas Unidades Educacionais. A matrícula do estudante na Educação de Jovens e Adultos deve ocorrer a qualquer tempo do período letivo, mas preferencialmente no início de cada semestre, bem como favorecer sua presença na Unidade Educacional de sua escolha.

A semestralidade na formação das turmas se apresenta como um facilitador da reinserção e da conclusão dos estudantes da EJA. A regularização do fluxo pode ocorrer com maior constância, principalmente permitindo a organização dos tempos e espaços escolares mais apropriados à dinâmica das várias formas de atendimento, uma vez que a EJA Noturno e CIEJA, apresentam condições para o funcionamento semestral. Em relação à EJA MODULAR, será mantida a atual forma de organização em módulos, pois este projeto apresenta esta peculiaridade. Os módulos na EJA MODULAR configuram-se em blocos de 50 dias letivos, sendo que a disciplina de Português compõe um único módulo e os demais módulos são compostos por duas disciplinas, com 25 dias letivos para cada uma delas desenvolver suas atividades.

Em relação ao MOVA, pelo fato desta forma de atendimento trabalhar com a alfabetização dos jovens e/ou adultos, propõe-se a manutenção da anualidade. O CMCT terá sua periodicidade mantida na forma modular.

Para incentivar a permanência destes estudantes, a SME propõe discutir e desenvolver o processo de formação de educadores com programas próprios para atender as características da EJA, com currículo, procedimentos, material didático e elaboração de matrizes de avaliação que qualifiquem e respeitem as especificidades desses jovens e adultos que buscam as Unidades Educacionais para retomar seus estudos. A permanência do professor no decorrer do ano letivo é fundamental para que a Unidade

Educacional organize um trabalho coletivo articulado e gestado no Projeto Político-Pedagógico. Ressalta-se que a atribuição de aulas para os professores será anual, como já ocorre.


Perfil do Estudante da Educação de Jovens e Adultos

As Unidades Educacionais que atendem a Educação de Jovens e Adultos necessitam conhecer as especificidades dos estudantes atendidos nessa modalidade da Educação Básica, para construção de um programa pedagógico mais adequado, composição de seu Projeto Político-Pedagógico e dos projetos formulados pelas equipes escolares.

Os estudantes que frequentam a EJA vivenciaram e vivenciam experiências diversas de acordo com o seu cotidiano, suas relações familiares, culturais, sociais e essas experiências devem ser consideradas.

As considerações realizadas a partir da Consulta Pública do documento Programa Reorganização Curricular e Administrativa, Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São Paulo sobre o perfil dos estudantes que compõem a EJA apontam para a pluralidade do público atendido e dos possíveis conflitos advindos desta pluralidade.

De modo geral, o adulto matriculado nessa modalidade da Educação Básica é proveniente de áreas rurais empobrecidas, migrante, com uma passagem curta e não sistemática pela escola, por vezes marcada pelo fracasso escolar e trabalhando em ocupações urbanas não qualificadas. Este estudante busca a escola tardiamente para alfabetizar-se ou cursar algumas séries do Ensino Fundamental. Por outro lado, o jovem dos programas de EJA é um excluído da escola regular, ligado ao mundo urbano, envolvido em atividades de trabalho e lazer mais relacionados a uma sociedade letrada e escolarizada. Diferente do adulto, de modo geral este estudante está mais adiantado em sua escolaridade, buscando as etapas finais para concluir o Ensino Fundamental.

A Educação de Jovens e Adultos nas Unidades Educacionais do Munícipio de São Paulo apresenta a diversidade dos jovens e dos adultos, em seus interesses, costumes, valores e atitudes. Entende-se que essas diferenças possibilitam uma troca de experiências significativa entre essas gerações e contribuem para a formação cultural, social e ética desses estudantes.

Contudo, é necessário avançar na construção de propostas curriculares que contemplem as especificidades e as características relativas a esses grupos etários.

Destaque-se que muitos são os fatores que aproximam interesses e necessidades dos diversos sujeitos que compõem a Educação de Jovens e Adultos, entre eles um objetivo comum: dar continuidade ao seu processo de escolarização.


Formação dos educadores na Educação de Jovens e Adultos (EJA)

A Secretaria Municipal de Educação (SME) propõe a implantação de um Sistema de Formação de Educadores (Nota Técnica número 15), envolvendo de forma participativa as Divisões de Orientação Técnica e Núcleos da SME, as Diretorias Regionais de Educação (DREs), as Equipes Gestora e Docente

das Unidades Educacionais que atendem a EJA. Para a Educação de Jovens e Adultos, a formação de educadores considerará as especificidades da modalidade, sobretudo as temáticas: perfil do estudante, formação para cidadania e currículo da EJA.

Em relação ao currículo, destaca-se a discussão para desenvolvimento de uma proposta curricular própria, considerando as cinco formas de atendimento. Assim sendo, a formação visará discutir e implantar uma proposta curricular que favoreça a articulação das diferentes formas de atendimento ao estudante, tendo em vista sua permanência e suas especificidades, por meio de cursos, seminários e fóruns de discussão das propostas.

A Secretaria Municipal de Educação (SME), através da Divisão de Orientação Técnica da Educação de Jovens e Adultos, pretende desenvolver uma formação inicial e continuada para educadores (coordenadores e monitores) do MOVA-SP, em parceria com as DREs e entidades conveniadas do MOVASP, qualificando o processo formativo proposto atualmente. Desenvolverá também a formação permanente das equipes das DREs responsáveis pelo acompanhamento da Educação de Jovens e Adultos, propondo grupos de trabalho para estudos e discussões específicas da EJA Noturno, EJA Modular, CIEJA e CMCT.

Por fim, existe necessidade de formação específica para os profissionais que atuam nos “Itinerários Formativos” (nos CIEJAs) e na “Qualificação Profissional Inicial” (nas EJAs Modulares). Para tanto, será realizada avaliação para a continuidade ou não dos cursos já oferecidos (tais como EJA e mundo do trabalho; informática educativa; inglês instrumental; agente cultural mídia rádio) e da criação de novas possibilidades de formação para a qualificação profissional.


Currículo e avaliação

A partir do desenvolvimento de uma proposta curricular própria para EJA, será necessária discussão sobre as questões de avaliação para a aprendizagem dos jovens e adultos inseridos nas Unidades Educacionais da Rede Municipal de Ensino (RME).

A avaliação é parte integrante do processo de ensino e aprendizagem, desse modo, indica-se a realização de, no mínimo, 2 momentos de avaliação a cada semestre e/ou módulo, no caso da EJA Modular, e de momentos de autoavaliação com os estudantes dessa modalidade de ensino, assim como

apresentação de sínteses avaliativas bimestrais aos estudantes (ou para os responsáveis, no caso de estudantes menores de 18 anos), para que estes possam acompanhar e dar prosseguimento aos seus estudos.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) objetiva, ainda, desenvolver matrizes de avaliação que qualifiquem o atendimento dessa modalidade, respeitando as especificidades dos jovens e adultos que buscam as nossas Unidades Educacionais para retomar seus estudos.

O MEC produziu, através do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), matriz de competências e habilidades que estrutura o Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos).

A matriz de competências e habilidades que estrutura o Encceja considera, simultaneamente, as competências relativas às áreas de conhecimento e as que expressam as possibilidades cognitivas de jovens e adultos para a compreensão e realização de tarefas relacionadas com essas áreas (competências do sujeito).

As competências do sujeito são eixos cognitivos, que, associados às competências apresentadas nas disciplinas e áreas do conhecimento do Ensino Fundamental e Médio, referem-se ao domínio de linguagens, compreensão de fenômenos, enfrentamento e resolução de situações-problema, capacidade de argumentação e elaboração de propostas. Dessas interações resultam, em cada área, habilidades que serão avaliadas por meio de questões objetivas (múltipla escolha) e pela produção de um texto (redação).**

Este material será discutido com a Rede Municipal de Ensino na busca da construção de um sistema próprio de qualidade da Educação de Jovens e Adultos.

PRONATEC – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego

A Secretaria Municipal de Educação inscreveu-se no Programa PRONATEC com a finalidade de atender os jovens e adultos como mais uma oportunidade de aprendizagem e inserção social. Trata-se de ampliar as possibilidades de participação social deste grupo de cidadãos, por meio da participação dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos do Município de São Paulo nos cursos ofertados de formação inicial e continuada ou qualificação profissional.

Esta ação deve contemplar as diretrizes estabelecidas pela Secretaria Municipal de Educação no âmbito da modalidade da Educação de Jovens e Adultos, considerando também o perfil dos estudantes jovens e adultos matriculados nas Unidades Educacionais do Município.

Ressalta-se ainda que, em relação à qualificação profissional inicial, a Secretaria Municipal de Educação oferece aos jovens e adultos cursos por meio dos Centros Municipais de Capacitação e Treinamento (CMCTs) localizados na região de São Miguel. A SME está estudando meios de ampliar essa forma de atendimento. Parcerias com instituições formadoras, como SENAI, SENAC, instituições públicas federais e estaduais de formação profissional estão previstas.

O currículo proposto no Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) e na EJA Modular apresenta como parte integrante os Itinerários Formativos e as Atividades Complementares, respectivamente, com objetivo de desenvolver conhecimentos e habilidades para propiciar condições de inserção do jovem e adulto no mundo do trabalho.


Plano de Expansão

O Programa de Metas da Prefeitura de São Paulo, em seu compromisso com os direitos civis e sociais, apresenta como um de seus objetivos a superação da extrema pobreza na cidade de São Paulo, elevando a renda, promovendo a inclusão e o acesso a serviços públicos para todos. Em relação a esse objetivo, a meta 7 propõe “ampliar em 20 mil o número de matrículas na EJA e implantar 3 novos Centros Integrados (CIEJA)”.

A Secretaria Municipal de Educação é responsável pelo cumprimento dessa meta. Desse modo, propõe ações que favoreçam o acesso dos estudantes à Educação de Jovens e Adultos. Destacam-se: a chamada pública, prevista para o início do ano letivo de 2014; a manutenção do cadastro; e a reorganização do processo de matrícula, a ser realizado nas Unidades Educacionais.

O estudo da demanda se faz necessário na ampliação e no atendimento qualificado do público dessa modalidade, para favorecer a implantação de novos Centros Integrados (CIEJA) e/ou de outras formas de atendimento (EJA Noturno, EJA Modular, MOVA, CMCT) onde se observa a necessidade real.

A ampliação da Educação de Jovens e Adultos está diretamente relacionada à qualidade da educação oferecida. Assim sendo, a Secretaria Municipal de Educação propõe discutir e implantar formação aos educadores, organização curricular e avaliação dessa modalidade, respeitando as especificidades do público atendido.

*As formas de atendimento da EJA, (MOVA, EJA Noturno, EJA Modular, CIEJA e CMCT) são explicitadas no Programa de Reorganização Curricular e Administrativa, Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São Paulo.

**http://encceja.inep.gov.br/

 

Leia também:

Devolutiva da consulta pública do Mais Educação São Paulo
Notas técnicas resultantes da consulta
Quadro-síntese com as principais alterações do documento inicial do Programa
Sistematização das colaborações por temas

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Discussão - Um comentário
  1. ANTONIO DIAS NEME

    nov 12, 2013  at 19:33

    http://maiseducacaosaopaulo.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2013/08/logo.gif

    Mais Educação São Paulo

    Secretaria Municipal de Educação vai desenvolver formação para educadores da EJA

    A Secretaria Municipal de Educação (SME) vai desenvolver formação inicial e continuada para educadores da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A medida faz parte do Mais Educação São Paulo, programa que reorganiza o currículo e a administração da Rede Municipal de Educação da Cidade, e está prevista em nota técnica divulgada pela pasta.

    O momento é de construção de um novo desenho para a alfabetização e para a
    EJA como um todo

    “A educação de adultos engloba todo o processo de aprendizagem, formal ou
    informal, onde pessoas consideradas “adultas” pela sociedade desenvolvem suas
    habilidades, enriquecem seu conhecimento e aperfeiçoam suas qualificações
    técnicas e profissionais, direcionando-as para a satisfação de suas necessidades e
    as de sua sociedade. A educação de adultos inclui a educação formal, a educação
    não-formal e o espectro da aprendizagem informal e incidental disponível numa
    sociedade multicultural, onde os estudos baseados na teoria e na prática devem
    ser reconhecidos” (Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos, V
    CONFINTEA, UNESCO, 1997, p.42).

    “O imaginário popular tem alguma razão ao descrever a atuação do professor com o ditado perverso que diz: —«quem sabe faz, quem não sabe ensina».”

    “Enquanto educadores alfabetizadores de pessoas jovens e adultas, tomemos o cuidado de refletir sobre a nossa prática quanto: ao conteúdo que escolhemos para ensinar, ao que pretendemos com as aulas, a maneira de desenvolvê-la e sobre a visão que temos dos nossos alunos.”

    “As situações de exclusão – social e pessoal – a que os alunos estão submetidos, geram neles um sentimento de auto-exclusão que se reflete em frases do tipo: “Minha cabeça é dura mesmo.”; “Gente velha não aprende mais.”; “Ih, filho, com nós não tem jeito não.”, que agrava ainda mais o sentimento de inferioridade. “

    Quando se refere à formação continuada, são enfatizados os seguintes aspectos do profissional: a formação, a profissão, a avaliação e as competências que cabem ao profissional.
    O educador que está sempre em busca de uma formação contínua, bem como a evolução de suas competências tende a ampliar o seu campo de trabalho.
    A Educação para Jovens e Adultos (EJA) é uma forma de ensino da rede pública no Brasil, com o objetivo de desenvolver o ensino fundamental e médio com qualidade, para as pessoas que não possuem idade escolar e oportunidade. É importante lembrar que a educação de jovens e adultos está tendo uma preocupação maior atualmente.

    A iniciativa faz parte das várias pesquisas financiadas pela coordenação Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) até 2009.
    Os alunos do EJA são geralmente trabalhadores/as, empregados/as e desempregados/as que não tiveram acesso à cultura letrada.
    O que acontece é que existem grandes disparidades entre ricos e pobres. De acordo com estudos realizados, a população pobre encontra-se em desvantagem principalmente ao se tratar de jovens e adultos.

    Os educadores para fazerem parte do corpo docente do EJA devem ter uma formação inicial, além de contribuírem de forma relevante para o crescimento intelectual do indivíduo, realizando o exercício de cidadania.
    A oportunidade de vivenciar uma experiência indica caminhos que precisam ser redefinidos para resultar numa prática mais concreta também para os educandos, uma vez que estão nas salas de aula para aprender a ler e escrever, mas sem desconsiderar tudo o que já viveram
    As ações das universidades com relação à formação do educador de jovens e adultos
    ainda são tímidas se considerarmos, de um lado, a relevância que tem ocupado a EJA nos
    debates educacionais e, de outro, o potencial dessas instituições como agências de
    formação. Os trabalhos acadêmicos que se referem à temática, alertam que a formação recebida pelos professores, normalmente por meio de treinamentos e cursos aligeirados, é insuficiente para atender as demandas da educação de jovens e adultos. Nesse sentido, conclui-se que, para se desenvolver um ensino adequado a esse público, são necessários uma formação inicial específica consistente, assim como um trabalho de formação continuada. Há um desafio crescente para as universidades no sentido de garantir/ampliar os espaços para discussão da EJA, seja nos cursos de graduação, pós-graduação e extensão.
    Percebemos que a configuração da formação em EJA guarda uma estreita relação com a dinâmica social vivenciada. Assim, de uma maneira mais visível, encontra-se aberta às demandas apresentadas pelos movimentos sociais.
    Constata-se que, mesmo com a crescente visibilidade que tem tido a EJA, seja na
    instância das práticas, seja como campo de estudos e pesquisas, ainda não existe uma
    efetiva demanda para uma formação específica do educador que atua com esse público no
    campo de trabalho. Mesmo que a formação inicial ofertada pela universidade seja
    considerada de qualidade, os egressos não necessariamente têm essa qualificação
    valorizada no momento da inserção profissional. Não existe, assim, uma relação estreita
    entre formação inicial na universidade e campo de atuação. Essa situação pode ser, pelo menos parcialmente, explicada pela própria configuração histórica da EJA no Brasil,
    fortemente marcada pela concepção de que a educação voltada para aqueles que não se escolarizaram na idade regular é supletiva e, como tal, deve ser rápida e, em muitos casos, aligeirada .
    Nessa perspectiva, também o profissional que nela atua não precisa de uma preparação longa, aprofundada e específica. O próprio campo de atuação do profissional de EJA, por ser amplo e pouco definido, parece dar aos egressos a sensação de que sua formação inicial, embora necessária, não é essencial. Essa amplitude e “porosidade” da área dificultam, por outro lado, a própria ação da universidade que, através de algumas reformas curriculares, busca aproximar a formação inicial do educador de EJA às demandas do campo de trabalho e, ao mesmo tempo, às necessidades colocadas, para a área, pelas pesquisas que vêm sendo realizadas. Certamente, o crescimento do lugar que a EJA tem ocupado nas universidades, que se relaciona com o próprio fortalecimento da área (como prática pedagógica nas redes formais de ensino, nos movimentos sociais e em projetos de extensão universitária e de pesquisa), tem contribuído para que ela se (re)configure e se fortaleça .
    Há que se pressionar o próprio Ministério da Educação para uma tomada de iniciativa no que diz respeito à formação desse educador.
    Entretanto, uma linha de preocupação que se traduza em intencionalidade ainda está
    por acontecer. A constituição de um quadro profissional – formado nos cursos de
    formação inicial e continuada para educadores da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
    do Mais Educação São Paulo para atuar junto a um público específico contribuirá para o fortalecimento da área, para a (re)configuração desse campo de trabalho e, certamente, para um melhor atendimento a parcelas significativas da população que foram precocemente excluídas das ações de escolarização
    http://img5.orkut.com/images/medium/1288178144/24955066/ln.jpg

    PROFESSOR ANTÔNIO DIAS NEME

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